Para que possamos compreender, ainda que fugazmente, o mundo onde vivemos, é vital que tenhamos a noção verdadeira do que somos. Não por acaso, tivemos informações fundamentais sobre a nossa história essencial removida de nossas mentes por, literalmente, séculos.
Foi-nos ensinado que nossa herança greco-romana foi quebrada em 476 com a queda de Roma, ou do seu imperador, pelo chefe germânico Odoacro. Depois, seguiu-se um período funesto de barbárie que só realmente melhorou após o fim da Idade Média e o surgimento da Renascença e seu Iluminismo. É com muita dificuldade que escrevo essa descrição tão errada sobre o nosso passado. O que realmente ocorreu foi muito diferente, e especialmente deve incluir um elemento maliciosamente mantido fora dessa descrição. O Império Romano do Oriente.
Como todos sabem de forma meio vaga, como se fosse algo mitológico e não totalmente histórico, Roma dominava toda a costa do Mediterrâneo, o chamado Mare Nostrum (Nosso mar), terras mais a leste que a Armênia chegando ao Golfo Pérsico no Sudeste. Ásia Menor, o Levante, Egito, toda a costa norte da África até a Mauritânia, toda essa terra era romana.
O Imperador Constantino, no início do século IV, remodelou a antiga cidade de Bizâncio e a chamou de Constantinopla, movendo para lá a capital do Império. Note-se que esse império já era essencialmente cristão. O Cristianismo foi posteriormente tornado religião oficial do Império por Teodósio.
Quando Roma enfim cai, em 476, o Império do Oriente em Constantinopla seguiu seu caminho até 1453, com a queda da capital. Todo aquele território romano e cristão foi sendo perdido com o tempo, particularmente após a criação do Islamismo por Maomé por volta do ano 600. Em 711 os muçulmanos estavam invadindo e conquistando a Península Ibérica, tendo conquistado (e não convencido) boa parte da Ásia Menor, o Egito, a Terra Santa, incluindo a Síria, Líbano, Judéia, etc. Todo esse território do Império Romano do Oriente foi perdido para o Islã em apenas um século. Os cristãos foram mortos, perseguidos, expulsos ou subjugados como cidadãos de segunda classe.
Ainda assim o Império permaneceu, enquanto que no oeste herdeiros da glória romana pegavam o bastão e construíam maravilhosas catedrais e universidades.
Era como um majestoso leão, continuamente atacado por bandos ferozes de hienas, perdendo sangue, se recuperando, lutando para manter uma dose de beleza e sabedoria no mundo.
Eventualmente o Cristianismo foi expulso do Leste e subsistiu mediante grandes sacrifícios e heroísmo no Oeste. Então o conjunto vencedor da cultura ocidental gerou um crescimento que o resto do mundo não conseguiu alcançar.
A última grande ameaça militar muçulmana foi debelada na Batalha de Viena, em 1683, pela maior carga de cavalaria da História, liderada pelo rei polonês Jan Sobiesky III e seus hussardos alados.
Nunca conseguimos recuperar as terras perdidas do Leste. Hoje, ignorante de sua grandeza e de sua essência, mesmo, o Oeste hesita em resistir à nova invasão, feita através da ideologia regressista, migrações fraudulentas e corrupção interna.
Mas nós não somos apenas o Oeste. Somos muito mais.
Quem somos nós?
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- EduardoAFVieira Offline
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