A escravidão invisível da mídia de direita
(Eduardo Vieira - 13/mar/2025)
Caros leitores, que são menos que os famosos sete do amigo Paulo Briguet, venho aqui dividir uma reflexão que já resfolega pelos meus neurônios há anos e que precisa ser considerada.
No mundo em que vivemos a esmagadora maioria dos atos é cometida pelos grandes "players". Obviamente esses tem mais e maiores meios de ação. Ainda por cima, essas ações são amplificadas pela reverberação da extrema imprensa, tornando-se ainda maior. E nosso povo, mesmo os conservadores, seguem se alimentando por essa fonte. O motivo disso será comentado mais adiante. Vamos aos efeitos.
As reações usuais à essa exposição quase exclusiva ao material midiático oferecido pelo sistema usualmente são de medo ou revolta. Duas péssimas reações, incentivadas pelo nosso entorno. Diante disso o nosso povo pede explicações, falsas promessas de melhoras ou diatribes revoltadas de denúncia vazia de resultados.
E o que de benéfico sai disso tudo? Pouco, se tanto. De maléfico, por outro lado, sai um caminhão de coisas. Primeiro, não há lugar nem incentivo à esperança. Essa tem sido sequestrada pela mentira, pelo tic-tac, pela conspiração falsa que promete tudo e não entrega nada senão novas mentiras.
É como se uma pessoa estivesse numa sala em chamas e ignorasse quem pede que ela ajude a transportar baldes de água para apagar o incêndio, preferindo aplaudir e mesmo financiar quem diz que um avião está chegando do Canadá para resolver o problema milagrosamente. O avião nunca chega e o fogo nunca se apaga, destruindo cada dia mais, inclemente e cada vez mais seguro de si, já que não há reação.
Além disso, a manutenção de um estado constante de medo e revolta acaba soterrando tanto a esperança como a vontade de ação contra as iniquidades. O resultado de exposição prolongada ao stress é a depressão, o desânimo, a desistência. Parece algo familiar nos dias de hoje?
Outro problema é a degradação intelectual. A replicação irrefletida do conteúdo midiático de esquerda é fácil de fazer e de comprar e assim uma enxurrada de incompetentes despeja todo tipo de análises e memes que servem para empurrar cada vez mais o nosso povo para baixo, sempre.
A lista é longa mas esses são os principais problemas que enxergo. Além, claro, de uma consequência estrutural que é ligada à solução. Vejam aqui: nem tudo o que acontece no mundo é reportado pela mídia. Esta escolhe seu foco obedecendo aos seus donos, sempre visando a manipulação da sociedade.
É preciso que os nossos veículos gerem essa ruptura. Sei que custa caro bancar repórteres espalhados pelo Brasil e pelo mundo. É mais fácil navegar pela grande mídia e selecionar as pautas. Mas aí caímos nos problemas que acabei de citar.
Nossa mídia precisa se associar, dividir custos, montar uma estrutura comum e começar a pautar o nosso povo, deixando de ser um mero instrumento de reverberação de quem nos odeia.
Além disso, precisamos valorizar de fato os nossos intelectuais, os nossos produtores de conteúdo, os nossos meios de mídia. Quando abandonaremos premiações do sistema para a criação dos nossos próprios eventos? Ou vocês acham que um iBest da vida tem algum compromisso com o que prezamos?
Nossos eventos tem que ser valorizados, comentados, aplaudidos, financiados. Ao invés disso, há o incentivo à uma atitude de caranguejo no balde, com a procura de deslizes de expressão, de posicionamento ou de ação, sempre pela ótica partidária, a pior de todas, a menos relevante e que é o instrumento que o sistema mais usa para nos distrair.
Se somos muitos, se somos melhores, já passou da hora de rompermos esses grilhões que mantemos firmemente presos em nossos tornozelos. Sem esses pesos poderemos então desenvolver nosso potencial e gerar um sentimento verdadeiro de esperança, de ação, de construção de um país do qual possamos efetivamente nos orgulhar.
Ponderem. E, claro, atuem sobre isso. É mais fácil que parece e vai dar ótimos resultados. Ainda que, como o que ocorre na América de Trump, tenhamos que passar por um período de adaptação.
Deus os abençoe.
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